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17 de abril de 2018

“O lugar da criança com deficiência é na escola regular”, diz Jairo Marques


Jornalista e ativista pela inclusão de pessoas com deficiência fala ao UM BRASIL sobre sociedade, educação e políticas públicas

“As pessoas, ainda hoje, questionam a importância da representatividade: não acham necessário uma pessoa com deficiência com um cargo político, por exemplo”, afirma o jornalista Jairo Marques, que é cadeirante e uma das principais vozes no debate sobre a inclusão social de pessoas com deficiência física. “A representatividade é determinante: quando me vejo espelhado em alguém, ganho fôlego para seguir e para lutar por mim mesmo”, explica em conversa com o jornalista Leandro Beguoci para o canal UM BRASIL.

Colunista da Folha de S.Paulo e autor do livro Malacabado – a história de um jornalista sobre rodas, durante a entrevista Marques comenta suas trajetórias pessoal e profissional, a inclusão de crianças com deficiência nas escolas, a acessibilidade das calçadas e os desafios das políticas públicas para as pessoas com necessidades especiais.

“Seria importante que houvesse um intenso trabalho de preparação dentro das escolas para a sociedade entender que o lugar da criança com deficiência – com qualquer deficiência – é a escola regular”, defende Marques. “Situações individuais não podem ser descartadas, mas o individual não pode determinar o coletivo. Toda criança com qualquer tipo de deficiência deve estar junto com outras crianças: esse ponto, para mim, é inquestionável.”

Para o jornalista, a quantidade de pessoas com deficiência no mercado trabalho atualmente, embora esteja muito aquém do que define a lei (para cotas e acessibilidade), é surpreendente. “A inclusão desses profissionais me agrada. Me surpreende ver essas pessoas também construindo famílias: era impensável se colocar como cidadão dessa maneira poucos anos atrás”, conta.

“O que me incomoda é a dificuldade das pessoas de entender o outro. Até hoje tenho de explicar por que preciso de uma vaga especial, uma rampa ou cotas para trabalhar. É um discurso que existe há muito tempo para que as pessoas ainda tenham dúvidas tão básicas”. Assista à entrevista completa aqui.

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