Notícias Fecomercio

9 de outubro de 2018

É mais fácil investir em político do que em produto, critica Bruno Carazza


Economista afirma ao UM BRASIL que a prática de caixa dois nas eleições pode crescer mesmo com as empresas proibidas de fazer doação em campanhas eleitorais

O financiamento de campanha eleitoral no País passou a ser dominado por um cartel de empresas, e as práticas abusivas resultaram na proibição de contribuições empresariais em eleições. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de 2015, tem o intuito de coibir o famoso caixa dois e enfraquecer o poder empresarial na política.

“Grandes empresas nacionais começaram a identificar que é mais barato investir na campanha de um político ou de um partido do que nos seus processos produtivos e oferecer produtos melhores, mais desenvolvidos tecnologicamente”, ressalta, em entrevista ao UM BRASIL, o mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bruno Carazza.

Em conversa com Leandro Beguoci, Carazza conta que o investimento na campanha de políticos, seja para o Executivo, seja para o Legislativo, apresenta retorno no momento seguinte do mandato na forma de projetos de lei que beneficiem determinados setores e de contratos firmados diretamente com o governo. Apesar do veto, o autor de Dinheiro, eleições e poder: as engrenagens do sistema político brasileiro (2018) alerta que a nova regra pode ter um efeito contrário e aumentar o ato ilegal.

Segundo Carazza, a medida gerou a perda da transparência nas doações e não resolveu a questão do alto custo das campanhas. “A decisão do Supremo de proibir as doações de empresas é o caso clássico que para todo problema complexo existe sempre uma solução simples e que, em geral, não funciona”, critica. Assista à entrevista completa aqui.

 

Voltar para Notícias