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Iniciativas visam ampliar a diversidade nas empresas


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A justificativa das empresas para não contratarem funcionários dos dois grupos era a falta de mão de obra qualificada, mas esse é um cenário em mudança, graças a algumas iniciativas em andamento no País (Arte/TUTU)

Por Jamille Niero

A crise que o País vem enfrentando resulta em um mercado de trabalho mais difícil. Dados recentes dos comércios varejista e atacadista, além do setor de serviços, mostram a redução do número de postos de trabalho no Estado de São Paulo. Contudo, historicamente, alguns grupos, como os negros e as pessoas com deficiência, enfrentam mais dificuldade na busca por vagas.

Por muito tempo, a justificativa das empresas para não contratarem funcionários dos dois grupos era a falta de mão de obra qualificada. Esse é um cenário em mudança, graças a algumas iniciativas em andamento no País.

Uma delas é o Programa Coexistir, desenvolvido pelo Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), filiado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O projeto foi criado com a finalidade de estimular, orientar e assessorar os varejistas representados a aderir à inclusão social, promover a capacitação profissional das pessoas com deficiência e trocar informações sobre vagas disponíveis, ampliando as condições de captação da mão de obra. No total, desde 2013, a iniciativa já apoiou a inserção de mais de mil pessoas com deficiência nesse segmento do varejo paulista.

Por meio de dois Termos de Compromisso firmados com a Superintendência  Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, em 2015, e reafirmados no final do ano passado, o programa tem entre seus objetivos um cronograma de metas de contratação com previsão de cumprimento de 100% da reserva de vagas previstas para o segmento (segundo exige a Lei de Cotas) até 2019.

“O sindicato estabeleceu o tempo no qual as empresas cumprirão os prazos determinados pela legislação e quais os desafios para atingi-los. A partir daí, buscamos soluções e criamos ações para alcançar as metas”, explica Maria de Fátima e Silva, coordenadora do projeto no Sincovaga. O papel do Coexistir é acompanhar essas ações auxiliando as empresas e prestar contas ao órgão público. É uma medida que não desobriga as empresas, mas escalona as contratações para que possam ser realizadas. A primeira versão do Termo de Compromisso, firmada em 2012, visava preencher pelo menos 35% das cotas previstas em lei, o que foi alcançado, e permitiu o aumento do índice almejado.

Maria de Fátima conta que um dos principais desafios é combater o preconceito dos colegas de trabalho. “Se as pessoas não tiverem conhecimento e postura diferente vai existir uma barreira. Às vezes a empresa tem na própria política valores e missão que são contra o preconceito, mas gestores e colegas de trabalho ainda podem manter o preconceito, que nada mais é do que a falta de informação. Eles não têm referências suficientes para entender que a pessoa com deficiência pode trabalhar como qualquer outra. Ouvimos às vezes que a empresa tem vaga específica, mas deficiência não é profissão. O que tem é vaga para contador, caixa, etc. É para um profissional que tem como característica uma deficiência”, complementa.

O preconceito com os negros no meio empresarial também é cultural, aponta Raphael Vicente, diretor de relações institucionais da Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sociocultural (Afrobras). “Está enraizado na formação do povo e do Estado como nação. Houve pelo menos 300 anos de escravidão, com a sociedade construída em um cenário no qual isso era legal. O desafio é desconstruir essa estrutura institucional e cultural de que o preconceito, o racismo são legítimos e aceitáveis, ainda que seja subconsciente”, diz.

Para mudar esse quadro, a Afrobras lançou, no ano passado, a Iniciativa Empresarial pela Igualdade. O projeto considera que o empresariado é um dos agentes de transformação, podendo atuar por meio da redefinição das suas práticas e da sua cultura organizacional. A ideia é aplicar medidas que ajudem na ampliação da presença e na criação de políticas internas de promoção e manutenção dos afrodescendentes nas grandes, pequenas e médias corporações.

Vicente, que é coordenador da Iniciativa, conta que grandes empresas de diversos setores da economia já aderiram à proposta. Entre elas, Santander, Itaú, Bradesco, Unilever, Microsoft, Google e Magazine Luiza. O chamamento para as empresas participarem integra a primeira etapa e servirá como norte para os próximos passos, dependendo de como as ações fluírem (considerando as particularidades de cada uma). Essas grandes companhias participam também espalhando a ideia não só por meio dos milhares de funcionários, mas também pela sua cadeia de produção, uma vez que contam com muitos fornecedores. “Todos podem levar informação para família e amigos. A meta é encerrar o ano com pelo menos 50 corporações aderentes ao projeto”, diz.

Outra ação que faz parte desse primeiro passo foi o lançamento de um banco de talentos, que reúne profissionais em busca de vagas e companhias com postos de trabalho abertos.

Fonte: Fecomércio-SP


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