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Intenção de financiamento dos paulistanos cresce 3,3% em abril


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Poupança continua a modalidade de aplicação financeira preferida dos paulistanos, com 59,8% deles direcionamento principalmente para ela seus recursos (Arte/TUTU)

Após dois anos consecutivos de recessão, a economia brasileira esboça alguns sinais de reação e, com isso, os consumidores também retomam gradativamente seus projetos de vida. Este sentimento pode ser captado na Pesquisa de Risco e Intenção e Endividamento (PRIE), elaborada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Em abril, houve elevação na Intenção de Financiamento, cujo índice alcançou 18,7 pontos, alta de 3,3% em relação a março e 30,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2016, quando o indicador registrava 14,3 pontos. 

O Índice de Segurança de Crédito também exibiu elevação em abril, com 82 pontos, alta de 3,8% na comparação com março, porém, 2,7% inferior ao apurado no mesmo mês do ano passado (84,2 pontos). 

Segundo a PRIE, a segurança de crédito dos endividados (61,8 pontos) apresentou alta de 5% na comparação com março, porém, em relação ao mesmo mês de 2016, houve queda de 2,3%. Já entre os não endividados, houve alta ainda maior, de 5,2% na comparação mensal, e crescimento de 0,4% no contraponto anual. 

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, com a retomada gradual da atividade econômica, a PRIE deve captar a revitalização do mercado de crédito também em 2017, principalmente na segunda metade do ano. O mercado financeiro ainda está hostil para os tomadores de dinheiro, com taxas e condições adversas, mas gradativamente vai se ajustando também. Segundo a Federação, ao longo de 2017 é provável que o País volte a ver crescimento das carteiras de crédito. 

Aplicações
A poupança continua sendo a modalidade preferida dos paulistanos. Em abril, 59,8% dos aplicadores tinham na poupança o principal destino dos seus recursos, alta de 0,2 ponto porcentual (p.p.) em relação aos 59,6% apurados em março. No mesmo mês de 2016, a proporção era de 65,5%. Já os que aplicam em previdência privada alcançou 10,1%, queda de 0,6 p.p. em relação ao mês anterior e alta de 1,7 p.p em relação aos 8,4% registrados em abril de 2016. Quanto à renda fixa, mesmo que a tendência de juros futuros seja de queda ao longo deste ano, o rendimento ainda é mais atraente do que o da poupança, e os aplicadores estão vendo isso. A modalidade foi escolhida por 21,2% dos paulistanos em abril, alta de 0,5 p.p. na comparação com abril de 2016 (20,7%). Por outro lado, com a provável queda continuada de juros, a FecomercioSP acredita que haverá abertura de espaço para a diversificação das aplicações, principalmente via ações, como já se começa a notar, mas condicionada à real retomada do crescimento da economia e das empresas. A reforma da previdência também traz o foco sobre o tema, e eleva as aplicações em fundos de pensão e previdência. Essa é uma tendência que deve favorecer a poupança de longo prazo e deve ser estimulada, de forma que os jovens de hoje auxiliem na aceleração do crescimento via investimentos de prazo longo, e garantam uma velhice mais próspera. 

Segundo a Entidade, o conservadorismo dos consumidores garantiu ao País que o sistema financeiro tenha se mantido fora das principais preocupações do Governo ao longo dos piores momentos de nossa crise, ao contrário do que ocorre em outras economias muito alavancadas. Por outro lado, as elevadas taxas de juros ainda inviabilizam o crescimento econômico e o investimento empresarial, reduzindo o potencial tanto de crescimento do País, quanto da valorização do mercado acionário. De acordo com a Federação, neste aspecto, o Banco Central está fazendo sua parte no campo dos juros, e o governo parece atuar para reduzir a volatilidade e criar um ambiente mais propício ao crescimento. O momento de estabilidade no comportamento dos consumidores indica, inicialmente, que o País está retomando a vida normal.

Por fim, a FecomercioSP indica que faltam ainda duas reformas realmente relevantes: a da Previdência (cuja não aprovação seria fatal para o Brasil logo no curto prazo) e a trabalhista (cuja rejeição seria fatal para a economia, mas não de imediato), para que o País passe a se concentrar em outra série de reformas e mudanças necessárias, mas menos urgentes, como o novo currículo escolar, a redução de burocracia etc. Tudo isso dado, é provável que haja aumento da propensão ao crédito ao longo deste ano, sem que isso signifique aumento incontrolável de risco, quando acompanhado de aumento do emprego, que pode/deve ocorrer na segunda metade de 2017.

Fonte: Fecomércio-SP


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