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Promoção da educação digital requer nova postura de professores e escolas


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Profissionais que estudam o assunto consideram as perspectivas ruins para as escolas brasileiras
(Arte TUTU) 

Por Deisy de Assis

A maneira como os avanços tecnológicos alteram as dinâmicas sociais acalorou as discussões sobre a educação digital. A abordagem do assunto se ampliou ainda mais com o Decreto nº 8.771/2016, que regulamentou o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014). O artigo 26 estabelece a necessidade de promover a educação digital nas escolas brasileiras. No entanto, segundo especialistas no tema, as instituições de ensino ainda não trabalham com foco na cidadania digital, o que depende de uma nova postura de professores e do sistema educacional.

As perspectivas são consideradas ruins sob o ponto de vista do professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Gilson Schwartz, que atua como secretário-executivo do Global Mil Week no Brasil, conferência sobre inclusão e educação digital a ser realizada pela Unesco entre 31 de outubro e 6 de novembro.

“As escolas, ou seja, seus professores e gestores, não estão assimilando o que é a educação digital”, afirma Schwartz, que lamenta a ausência de conteúdos relevantes para o uso da rede.

Conceito base

A coordenadora do Laboratório de Estudos em Ética nos Meios Eletrônicos (Leeme) da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Solange Barros, explica que o conceito base da educação digital é o exercício da cidadania, a partir do entendimento de que a rede é uma extensão da vida real.

“Isso quer dizer que não há atividade saudável na internet, sem o desenvolvimento de um pensamento crítico que permita que o indivíduo tenha discernimento do que é relevante e dos limites de exposição”, afirma a especialista.

Nesse contexto, Solange aponta a busca de equilíbrio entre os aspectos físico e virtual. “Os conteúdos e debates para isso precisam envolver com amplitude assuntos como informação, privacidade, direitos humanos, direito autoral, entre outros.”

Advogada e membro da Comissão de Estudos de Direito Digital do Conselho Superior de Direito da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Alessandra Borelli argumenta que a internet, muito mais que uma nova ferramenta, representa para as novas gerações uma forma de se viver, que classifica como irreversível e, a depender de como é utilizada, os resultados tanto podem ser positivos, como negativos. “É incontestável a necessidade de mudanças por parte da escola, não somente no sentido inclusivo, mas sobretudo no que tange a instrução e direcionamento para o uso ético e seguro das novas tecnologias.”

Educadores digitais

Alessandra comenta que o corpo docente das instituições precisa conhecer (e ensinar) não apenas sobre as ferramentas digitais e suas funcionalidades, mas sobretudo as consequências por sua inadequada utilização. “Essa falta de habilidade, compreensível, de alguns docentes, os faz resistir à necessária mudança. Sabemos que por vezes, muita informação gera desinformação e, portanto, ajudar o aluno a filtrar todo este conteúdo e selecionar o que, de fato, contribuirá para seu desenvolvimento pessoal e intelectual, é crucial.”

Para Schwartz, os poucos e breves levantamentos que se tem a respeito da educação digital no ensino brasileiro deixam claro que o despreparo dos educadores, que também estão tendo de lidar com a nova realidade em suas vidas, é um ponto nevrálgico para a efetivação da educação digital.

Ele cita como exemplo o estudo “Educação e tecnologias no Brasil: estudo de caso longitudinal sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação em 12 escolas públicas”, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

“Embora o levantamento não tenha quantificado isso, ficou evidente nas 12 escolas públicas de diferentes regiões do País acompanhadas, que mesmo com a adoção das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), os professores não promovem mudanças pedagógicas em sala de aula”, destaca.
Na opinião de Solange, as universidades têm papel fundamental para a mudança de paradigmas nesse sentido, uma vez que são responsáveis para formação de educadores. “A abordagem nos cursos da área de Educação também precisa ser remodelada.”

Schwartz comenta que essas questões pautarão as discussões promovidas pela conferência Global Mil Week no Brasil, que pretende criar um movimento mundial para a mudança desse cenário e será aberta a todos os interessados.

Impactos

O professor é categórico ao afirmar que as instituições de ensino brasileiras, públicas e privadas, utilizam um modelo ultrapassado que não permitem um balanço positivo. “Nossas escolas estão despreparadas e se essa realidade não caminhar para uma melhora rapidamente, corremos o risco de uma geração de analfabetos digitais que provocará desemprego e prejudicará fortemente o desenvolvimento social do País.”

Solange concorda que o uso da internet, por si só, é algo infinitamente pequeno diante da complexidade da questão. “Sem uma agenda mais focada, as crianças e adolescentes não serão capacitadas para acessar a informação na rede, tampouco para avaliar qualidade e veracidade de dados”, diz a professora, que ainda frisa os danos nas relações humanas e no aspecto emocional da sociedade.

Fonte: Fecomércio-SP


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