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Falta retomar a confiança do investidor


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O aumento nos investimentos em infraestrutura, a busca por fontes alternativas no campo energético e o estabelecimento de parcerias entre o poder público e o setor privado se apresentam como ferramentas fundamentais para estimular o desenvolvimento do País e o crescimento da economia brasileira.

Esses foram os principais pontoslevantadosporautoridades, especialistas e representantes do setor privado que estiveram presentes em mais um encontro da série Fóruns Estadão Infraestrutura. O evento, realizado na quarta-feira da semana passada, com o apoio da Hitachi, teve como tema “Inovação para o Crescimento”, avaliando questões de infraestrutura ligadas à mobilidade, tecnologia de informação, indústria do futuro e urbanização.

Para o sócio da GO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas, Gesner Oliveira, em um cenário de retração no consumo e de diminuição nos gastos do governo, o aumento nos investimentos em infraestrutura aparece como caminho viável para estimular o crescimento econômico. “T emos tanta demanda reprimida por infraestrutura que, apesar dos indicadores econômicos desfavoráveis, há atratividade em certos investimentos”, destacou, ressaltando a necessidade de parcerias entre governo e empresas para viabilizar esse tipo de iniciativa.

Segundo Oliveira, o setor privado é fundamental para o País dar o salto que todos aguardam, afirmando que o Brasil enfrenta uma crise muito grave, mas pode ser possível sair dela mais forte. “Pode haver um salto institucionalgrande e nunca foi tão necessário rever as regras de governança.” Ele ainda afirmou que é necessário o vencimento de três barreiras que possibilitarão o aumento nos investimentos, com segurança: o aumento de recursos, a existência de garantias adequadas e a desburocratização.

O coordenador do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, também ressaltou a questão do crescimento da demanda por infraestrutura no País. Para o especialista, é preciso ter preocupações maiores com a matriz de transportes do País, desafogando o modal rodoviário. “A melhoria da mobilidade brasileira tem de passar pelo planejamento, com premissa que priorize mais a gestão do que o gasto, o que não está contemplado nos atuais programas de crescimento.”

Resende ressaltou, ainda, que é preciso compreender que o orçamento público brasileiro não atende a mais essas demandas e que é necessário criar um plano nacional e estratégico no âmbito da iniciativa privada, para que o governo saia do papel de operador para o de fiscalizador e mantenedor da qualidade de um sistema de transporte que a sociedade deseja.

Crédito. Do ponto de vista do setor privado, o vice-presidente da Arteris (que tem entre suas obras a duplicação da BR116 e a BR-101/RJ), Felipe Ezquerra, afirmou que a questão do financiamento é o principal desafio para o segmento de infraestrutura no Brasil. “Obras de infraestrutura implicam num financiamento de longo prazo. Historicamente, esse papel tem sido quase que exclusivamente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), mas essa situação começou a mudar por causa da situação do País”, disse Ezquerra. “Acreditamos que o BNDES continuará sendo um ator fundamental, mas temos de trabalhar com outras fontes de financiamento e buscar fórmulas para diversificar.”

Nesse sentido, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg, defendeu que se utilize mais as fundações de pesquisa e inovação. “Muitas empresas não sabem que essas instituições têm linhas de apoio financeiro àpesquisa e à inovação”, disse Goldemberg com a ressalva de que os governantes têm defazer planejamento. “E preciso melhor governança.”

Política. Para o arquiteto, urbanista e ex-prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, o Brasil poderia ser um grande exemplo em mobilidade urbana, mas a falta de agilidade e incentivo por parte do governo dificulta a realização de projetos e diminui o interesse do setor privado. “Depois de passar anos no setor público e lidado com o governo federal, eu não perdi tempo em Brasília. Não me refiro a este ou aquele governo, mas a uma burocracia atrasada”, disse Lerner. “Deixei a política há 14 anos e não pertenço a nenhum partido, é angustiante ver que as soluções estão próximas e tão distantes.” Segundo Resende, da Fundação Dom Cabral, a sociedade brasileira não pode ser convencida de que é possível tocar “100 projetos ao mesmo tempo”. Ele defendeu a priorização de projetos, com a transferência de alguns para a iniciativa privada, sobretudo os de maior demanda. Resende ressaltou, ainda, a necessidade de um bom arcabouço jurídico, que não dependa de injunções político-eleitorais.

Energia. Goldemberg, presidente da Fapesp, ressaltou que o consumo de energia renovável tem crescido fortemente, tanto nos países ricos quanto nas nações em desenvolvimento. A presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum, destacou o crescimento da energia eólica no País. Segundo ela, o Brasil é pioneiro na contratação de leilões nesse setor. “Pelas avaliações do mercado, em 2020, a eóíica já seráa segunda fonte de energia da matriz elétrica nacional.”

Goldemberg destacou que os preços internacionais do petróleo, que passaram por forte queda nos últimos meses, não devem se recuperar no curto ou médio prazos por conta da queda na demanda da China e pela queda no ritmo do crescimento global no consumo anual de energia.“Na China, todas as áreas fundamentais de infraestrutura estão recuando. Isso se deve ao fato de que existe uma sobrecapacidade em todas as áreas. O planejamento na China foi feito levando em conta índices de crescimento muito altos”, disse Goldemberg. “Com o crescimento chinês diminuindo, surgiu um problema de excesso de capacidade.”



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