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Medidas anunciadas para estimular o crédito não atacam as verdadeiras causas da crise


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Para a Federação, único efeito positivo pode ser aliviar a situação de segmentos que se encontram em maiores dificuldades, como os endividados no cartão de crédito (Foto: Reprodução/Free Images)

As medidas anunciadas ontem (28) para estimular o crédito têm efeito restrito e não atacam as verdadeiras causas da crise econômica pela qual passa o País. Esta é a avaliação da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que volta a ressaltar que os problemas da economia são estruturais.

De acordo com a Federação, o único efeito positivo das medidas pode ser o de aliviar a situação de segmentos que se encontram em maiores dificuldades. Os economistas da Entidade citam como exemplo o caso de consumidores que trabalham no setor privado endividados no cartão de crédito. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores (PEIC), subiu de 43,1% em dezembro de 2014 para 50% em dezembro de 2015 a proporção de famílias paulistanas endividadas. Entre estas, subiu de 68,6% para 71,8% as que tinham dívida no cartão de crédito. De acordo com economistas, as medidas podem permitir que consumidores utilizem o crédito consignado, com taxas de juros mais baixas, para quitar os empréstimos no cartão.

As medidas ainda podem ajudar micro e pequenos empresários a lidarem com os estoques elevados, resultado das vendas fracas de 2015 – de acordo com outra pesquisa da Entidade, 37,6% dos empresários do varejo paulistano iniciaram o ano com estoques acima do adequado.

Ainda assim, ressalta a FecomercioSP, a confiança dos consumidores e empresários está muito baixa, assim como sua disposição para assumir novas dívidas. Logo, um possível aumento da oferta de crédito não deve se reverter em crescimento do consumo e dos investimentos. Segundo dados da Federação, em dezembro, apenas 8% dos consumidores paulistanos pretendiam contrair empréstimos nos meses seguintes, um dos valores mais baixos já registrados. Já o indicador que mede a disposição dos empresários do varejo de São Paulo para novos investimentos atingiu 59 pontos no último mês de 2015, queda de 34% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A FecomercioSP volta assim a ressaltar que o desequilíbrio econômico estrutural torna urgente a retomada de uma agenda de reformas de longo prazo que envolvam fortes reduções dos gastos públicos e da burocracia, abertura comercial e melhora do ambiente de negócios. Afinal, somente o restabelecimento da confiança dos consumidores e empresários será capaz de aumentar o consumo e os investimentos.

Fonte: Fecomércio-SP


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